INTERNACIONALIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR

A internacionalização do ensino superior constitui um eixo estratégico fundamental para a modernização, valorização e competitividade das Instituições de Ensino Superior (IES), contribuindo para o desenvolvimento académico, científico e pessoal dos estudantes. Num contexto global cada vez mais interligado, a capacidade de integração em redes internacionais de ensino, investigação e inovação assume um papel determinante na afirmação do sistema de ensino superior português.

A promoção da mobilidade académica, a captação de estudantes internacionais e o reforço da cooperação institucional são elementos essenciais para a construção de um ensino superior mais dinâmico, inclusivo e alinhado com os desafios globais. Neste âmbito, o programa Erasmus+ destaca-se como um instrumento estruturante, permitindo a milhares de estudantes o acesso a experiências internacionais quepotenciam o desenvolvimento de competências académicas, linguísticas e interculturais, bem como a sua preparação para um mercado de trabalho cada vez mais global. Contudo, persistem desafios signiicativos ao nível do acesso equitativo à mobilidade internacional, nomeadamente no que respeita às limitações financeiras que impedem muitos estudantes de participar nestes programas. Torna-se, assim, fundamental reforçar os apoios associados à mobilidade, garantindo que a internacionalização não é um privilégio, mas uma oportunidade acessível a todos os estudantes, independentemente da sua condição socioeconómica. ~

Importa promover a criação de sinergias entre instituições de ensino superior, centros de investigação e tecido empresarial internacional, com especial enfoque na inovação e na transferência de conhecimento aplicado. Esta articulação é particularmente relevante no subsistema politécnico, cuja proximidade às empresas e às comunidades constitui uma vantagem estratégica no desenvolvimento de projetos de cooperação internacional. A cooperação com regiões estratégicas, nomeadamente no espaço europeu, nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), deve continuar a ser reforçada, promovendo a partilha de conhecimento, a mobilidade académica e científica e o desenvolvimento de projetos conjuntos que contribuam para o crescimento sustentável destes territórios. 

Neste sentido, a FNAEESP defende a definição e implementação de uma estratégia nacional de internacionalização do ensino superior, que integre de forma articulada a mobilidade académica, a investigação aplicada, a captação de estudantes internacionais e a cooperação institucional. Esta estratégia deverá assegurar condições de equidade no acesso à internacionalização, reforçar o financiamento dos programas existentes e valorizar o papel do ensino superior politécnico enquanto agente ativo na construção de redes internacionais de conhecimento e inovação. A internacionalização deve, assim, afirmar-se como um instrumento de qualificação, inclusão e desenvolvimento, contribuindo para um ensino superior mais aberto, competitivo e preparado para os desafios do futuro.